Teremos nossa reunião do CPP excepcionalmente nesta sexta-feira dia 23/03/2012 às 20 horas com a presença de nosso Bispo Auxiliar Dom José Carlos Chacorowski CM. Gostaríamos de contarmos com a presença de todos que fazem parte da nossa Paróquia São Francisco de Assis.
quinta-feira, 22 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
ENCONTRO COM AS FAMÍLIAS
Redescobrindo a família como
Patrimônio da humanidade.
Dentro da preparação para o Encontro mundial das Famílias, a Paróquia São Francisco de Assis, convida todas as Famílias para perticiparem de uma manhã de Espiritualidade que acontecerá dia 18 de Março(amanhã) de 10h às 12h, na Igreja Matriz São Francisco.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
AUDIÊNCIA GERAL DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Na audiência geral da quarta-feira de Cinzas, catequese do Papa sobre o sentido da Quaresma
22/02/2012
Bento XVI assinalou ontem o início da Quaresma na Igreja Católica, alertando para as consequências do “secularismo” e da “cultura materialista” que impedem na sociedade contemporâneo “qualquer referência ao transcendente”.
O Papa falava na audiência geral desta semana, diante de milhares de pessoas reunidas no Vaticano, aludindo a um “céu escuro, coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano”.
“Apesar disso, também para a Igreja o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, porque temos a certeza de que também da rocha dura, Deus faz brotar a água viva”, referiu.
Em português, Bento XVI convidou os fiéis a empreenderem “um caminho de conversão e renovação espiritual”.
“Queridos irmãos e irmãs,
Nos próximos quarenta dias, que nos levarão até ao Tríduo Pascal – celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo –, somos convidados a viver um caminho de conversão e renovação espiritual, que nos faça sair de nós mesmos para ir ao encontro do Senhor. Este período será um tempo propício para uma experiência mais profunda de Deus, que torne forte o espírito, confirme a fé, alimente a esperança e anime a caridade. Poderemos assim ver e recordar tudo aquilo que Ele fez por nós. Daí concluiremos que só o Senhor nos merece; e, sem mais adiamentos nem hesitações, entregar-nos-emos nas suas mãos. E Cristo tornar-nos-á participantes da vitória sobre o pecado e a morte, que Ele nos alcançou com o seu amor levado até ao extremo da imolação por nós na cruz. Seguindo o caminho da cruz com Jesus, ser-nos-á aberto o mundo luminoso de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria. Inundados por esta luz, ganharemos nova coragem para aceitar, com fé e paciência, todas as dificuldades, aflições e provações da vida, sabendo que, das trevas, o Senhor fará surgir a alvorada nova da ressurreição.
A minha saudação amiga para o grupo escolar da Lourinhã e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa. A Virgem Maria tome cada um pela mão e vos acompanhe durante os próximos quarenta dias que servem para vos conformar ao Senhor ressuscitado. A todos desejo uma boa e frutuosa Quaresma!”
(Com informações: Radio Vaticano)
O Papa falava na audiência geral desta semana, diante de milhares de pessoas reunidas no Vaticano, aludindo a um “céu escuro, coberto pelas nuvens do egoísmo, da incompreensão e do engano”.
“Apesar disso, também para a Igreja o tempo do deserto pode transformar-se em tempo de graça, porque temos a certeza de que também da rocha dura, Deus faz brotar a água viva”, referiu.
Em português, Bento XVI convidou os fiéis a empreenderem “um caminho de conversão e renovação espiritual”.
“Queridos irmãos e irmãs,
Nos próximos quarenta dias, que nos levarão até ao Tríduo Pascal – celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo –, somos convidados a viver um caminho de conversão e renovação espiritual, que nos faça sair de nós mesmos para ir ao encontro do Senhor. Este período será um tempo propício para uma experiência mais profunda de Deus, que torne forte o espírito, confirme a fé, alimente a esperança e anime a caridade. Poderemos assim ver e recordar tudo aquilo que Ele fez por nós. Daí concluiremos que só o Senhor nos merece; e, sem mais adiamentos nem hesitações, entregar-nos-emos nas suas mãos. E Cristo tornar-nos-á participantes da vitória sobre o pecado e a morte, que Ele nos alcançou com o seu amor levado até ao extremo da imolação por nós na cruz. Seguindo o caminho da cruz com Jesus, ser-nos-á aberto o mundo luminoso de Deus, o mundo da luz, da verdade e da alegria. Inundados por esta luz, ganharemos nova coragem para aceitar, com fé e paciência, todas as dificuldades, aflições e provações da vida, sabendo que, das trevas, o Senhor fará surgir a alvorada nova da ressurreição.
A minha saudação amiga para o grupo escolar da Lourinhã e todos os peregrinos presentes de língua portuguesa. A Virgem Maria tome cada um pela mão e vos acompanhe durante os próximos quarenta dias que servem para vos conformar ao Senhor ressuscitado. A todos desejo uma boa e frutuosa Quaresma!”
(Com informações: Radio Vaticano)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
MENSAGEM DO PAPA PARA O XX DIA MUNDIAL DO DOENTE
MENSAGEM DO
PAPA BENTO XVI
PARA O XX DIA MUNDIAL DO DOENTE
(11 DE FEVEREIRO DE 2012)
PARA O XX DIA MUNDIAL DO DOENTE
(11 DE FEVEREIRO DE 2012)
«Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!» (Lc 17,
19)
Amados irmãos e irmãs
Por ocasião do Dia Mundial do Doente, que celebraremos no próximo dia 11 de
Fevereiro de 2012, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, desejo renovar a
minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos lugares de
cura ou recebem os cuidados das famílias, enquanto manifesto a cada um deles a
solicitude e o afecto da parte de toda a Igreja. No acolhimento generoso e
amoroso de cada vida humana, sobretudo da frágil e doente, o cristão expressa um
aspecto importante do seu testemunho evangélico, segundo o exemplo de Cristo,
que se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para os
curar.
1. Neste ano, que constitui a preparação mais próxima para o solene Dia
Mundial do Doente, que será celebrado na Alemanha no dia 11 de Fevereiro de 2013
e que meditará sobre a emblemática figura evangélica do bom samaritano (cf.
Lc 10, 29-37), gostaria de chamar a atenção para os «Sacramentos de
cura», ou seja, o Sacramento da Penitência e da Reconciliação, e o Sacramento da
Unção dos Enfermos, que encontram o seu cumprimento natural na Comunhão
Eucarística.
O encontro de Jesus com os dez leprosos, narrado no Evangelho de são Lucas
(cf. Lc 17, 11-19), de maneira particular as palavras que o Senhor dirige
a um deles: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!» (v. 19), ajudam a tomar
consciência acerca da importância da fé para aqueles que, angustiados pelo
sofrimento e pela enfermidade, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele,
podem experimentar realmente que quantos acreditam nunca estão sozinhos!
Com efeito, no seu Filho Deus não nos abandona às nossas angústias e
sofrimentos, mas está próximo de nós, ajuda-nos a suportá-los e deseja curar
profundamente o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12).
A fé daquele único leproso que, vendo-se purificado, cheio de admiração e de
alegria, contrariamente aos demais, vai imediatamente até Jesus para lhe
manifestar o próprio reconhecimento, deixa entrever que a saúde readquirida é
sinal de algo mais precioso do que a simples cura física, pois constitui um
sinal da salvação que Deus nos concede através de Cristo; ela encontra expressão
nas palavras de Jesus: a tua fé te salvou! Quem, no seu próprio
sofrimento e enfermidade, invoca o Senhor, está convicto de que o Seu amor nunca
o abandona, e que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da Sua obra
salvífica, jamais desfalece. A cura física, expressão da salvação mais profunda,
revela deste modo a importância que o homem, na sua integridade de alma e corpo,
reveste para o Senhor. De resto, cada Sacramento expressa e põe em prática a
proximidade do próprio Deus que, de modo absolutamente gratuito, «nos toca por
meio de realidades materiais... que Ele assume ao seu serviço, fazendo deles
instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo» (Homilia,
Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). «Aqui, torna-se visível a
unidade entre criação e redenção. Os sacramentos são expressão da corporeidade
da nossa fé, que abraça corpo e alma, isto é, o homem inteiro» (Homilia,
Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011).
A tarefa principal da Igreja é, sem dúvida, o anúncio do Reino de Deus, «mas
precisamente este mesmo anúncio deve revelar-se um processo de cura: “...tratar
os corações torturados” (Is 61, 1)» (Ibidem), em conformidade com
a função confiada por Jesus aos seus discípulos (cf. Lc 9, 1-2; Mt
10, 1.5-14; e Mc 6, 7-13). Por conseguinte, o binómio entre saúde física
e renovação das dilacerações da alma ajuda-nos a compreender melhor os
«Sacramentos de cura».
2. Il Sacramento da Penitência esteve com frequência no centro da reflexão
dos Pastores da Igreja, precisamente devido à sua grande importância no caminho
da vida cristã, uma vez que «toda a eficácia da Penitência consiste em
restituir-nos à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (Catecismo
da Igreja Católica, n. 1.468). Dando continuidade ao anúncio de perdão e
de reconciliação feito ressoar por Jesus, a Igreja não cessa de convidar a
humanidade inteira a converter-se e a crer no Evangelho. Ela faz seu o apelo do
apóstolo Paulo: «Em nome de Cristo... sejamos embaixadores: através de nós, é o
próprio Deus quem exorta. Suplicamo-vos, em nome de Jesus Cristo: deixai-vos
reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Ao longo da sua vida, Jesus anuncia
e torna presente a misericórdia do Pai. Ele veio não para condenar, mas para
perdoar e salvar, para incutir esperança também na obscuridade mais profunda do
sofrimento e do pecado, para conceder a vida eterna; deste modo, no Sacramento
da Penitência, na «medicina da confissão», a experiência do pecado não degenera
em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma (cf. João Paulo II,
Exortação Apostólica pós-sinodal Reconciliatio
et paenitentia, 31).
Deus, «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), como o pai da parábola
evangélica (cf. Lc 15, 11-32), não fecha o coração a nenhum dos seus
filhos, mas espera por eles, procura-os e alcança-os onde a rejeição da comunhão
aprisiona no isolamento e na divisão, chamando-os a reunir-se ao redor da sua
mesa, na alegria da festa do perdão e da reconciliação. O momento do sofrimento,
no qual poderia surgir a tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero,
pode transformar-se assim em tempo de graça para voltar a si mesmo e, como o
filho pródigo da parábola, reconsiderar a própria vida, reconhecendo os próprios
erros e fracassos, sentindo a saudade do abraço do Pai e repercorrendo o caminho
rumo à sua Casa. No seu grande amor, Ele vigia sempre e de qualquer modo sobre a
nossa existência, e espera-nos para oferecer a cada um dos filhos que volta para
Ele, o dom da plena reconciliação e da alegria.
3. Da leitura dos Evangelhos sobressai claramente o modo como Jesus sempre
demonstrou uma atenção particular para com os enfermos. Ele não só convidou os
seus discípulos a curar as feridas dos mesmos (cf. Mt 10, 8; Lc 9,
2; 10, 9), mas também instituiu para eles um Sacramento específico: a Unção dos
Enfermos. A Carta de Tiago dá testemunho da presença deste gesto
sacramental já na primeira comunidade cristã (cf. 5, 14-16): mediante a Unção
dos Enfermos, acompanhada pela oração dos presbíteros, a Igreja inteira
recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as
suas penas e os salve, aliás, exorta-os a unir-se espiritualmente à paixão e à
morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus.
Tal Sacramento leva-nos a contemplar o dúplice mistério do Monte das
oliveiras, onde Jesus se encontrou dramaticamente diante do caminho que lhe fora
indicado pelo Pai, a senda da Paixão, do supremo gesto de amor, e aceitou-a.
Naquela hora de provação, Ele é o mediador, «transportando em si mesmo,
assumindo em si próprio o sofrimento e a paixão do mundo, transformando-os em
clamor a Deus, levando-os diante dos olhos e até às mãos de Deus, e assim
conduzindo-os realmente até ao momento da Redenção» (Lectio
divina, Encontro com o Clero de Roma, 18 de Fevereiro de 2010). Mas «o
Horto das Oliveiras é... inclusive o lugar a partir do qual Ele subiu ao Pai,
tornando-se assim o lugar da Redenção... Este dúplice mistério do Monte das
Oliveiras também está sempre “activo” no óleo sacramental da Igreja... sinal da
bondade de Deus que nos toca» (Homilia,
Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). Na Unção dos Enfermos, a
matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, «como medicamento
de Deus... que agora nos torna seguros da sua bondade e deve revigorar-nos e
consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a
cura definitiva, a ressurreição (cf. Tg 5, 14)» (Ibid.).
Este Sacramento merece hoje uma maior consideração, quer na reflexão
teológica, quer na obra pastoral em favor dos doentes. Valorizando os conteúdos
da oração litúrgica que se adaptam às diversas situações humanas ligadas à
doença e não só quando o doente está no fim da própria vida (cf. Catecismo
da Igreja Católica, n. 1.514), a Unção dos Enfermos não deve ser
considerada como que «um sacramento menor» em relação aos demais. A atenção e a
cura pastoral pelos enfermos, se por um lado é sinal da ternura de Deus por
aqueles que se encontram no sofrimento, por outro traz benefício espiritual
também aos sacerdotes e a toda a comunidade cristã, na consciência de que o que
fazemos aos mais pequeninos, é ao próprio Jesus que o fazemos (cf. Mt 25,
40).
4. A propósito dos «Sacramentos de cura», santo Agostinho afirma: «Deus
cura todas as tuas enfermidades. Portanto, não temas: todas as tuas
enfermidades serão curadas... Tu só deves permitir que Ele te cure e não deves
rejeitar as suas mãos» (Exposição sobre o Salmo 102, 5: PL 36,
1319-1320). Trata-se de meios preciosos da Graça de Deus, que ajudam o doente a
conformar-se cada vez mais plenamente com o Mistério da Morte e Ressurreição de
Cristo. Juntamente com estes dois Sacramentos, gostaria de sublinhar também a
importância da Eucaristia. Recebida no momento da doença ela contribui, de
maneira singular, para realizar tal transformação, associando aquele que se
alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus, à oferenda que Ele fez de si mesmo ao
Pai, para a salvação de todos. Toda a comunidade eclesial, e as comunidades
paroquiais em particular, prestem atenção para garantir a possibilidade de se
aproximarem com frequência da Comunhão sacramental àqueles que, por motivos de
saúde ou de idade, não podem acorrer aos lugares de culto. Deste modo, a estes
irmãos e irmãs é oferecida a possibilidade de revigorar a relação com Cristo
crucificado e ressuscitado, participando com a sua vida oferecida por amor a
Cristo, na missão da própria Igreja. Nesta perspectiva, é importante que os
sacerdotes que exercem a sua obra delicada nos hospitais, nas casas de cura e
nas habitações dos doentes se sintam verdadeiros «“ministros dos enfermos”,
sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve alcançar cada homem
assinalado pelo sofrimento» (Mensagem
para o XVIII Dia Mundial do Doente, 22 de Novembro de
2009).
A conformação com o Mistério pascal de Cristo, realizada também mediante a
prática da Comunhão espiritual, adquire um significado totalmente particular,
quando e Eucaristia é administrada e acolhida como viático. Naquele momento da
existência ressoam de modo ainda mais incisivo as palavras do Senhor: «Quem come
a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no
último dia» (Jo 6, 54). Com efeito a Eucaristia, principalmente como
viático, é — segundo a definição de santo Inácio de Antioquia — «remédio de
imortalidade, antídoto contra a morte» (Carta aos Efésios, 20: PG
5, 661), sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o
Pai, que a todos espera na Jerusalém celeste.
5. O tema desta Mensagem para o XX Dia Mundial do Doente: «Levanta-te e vai,
a tua fé te salvou!», visa também o próximo «Ano da Fé», que terá início a 11 de
Outubro de 2012, ocasião propícia e preciosa para redescobrir a força e a beleza
da fé, para aprofundar os seus conteúdos e para a testemunhar na vida de todos
os dias (cf. Carta Apostólica Porta
fidei, 11 de Outubro de 2011). Desejo encorajar os doente e quantos
sofrem a encontrar sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da
Palavra de Deus, da oração pessoal e dos Sacramentos, enquanto convido os
Pastores a permanecerem cada vez mais disponíveis à sua celebração para os
enfermos. Segundo o exemplo do Bom Pastor e como guias do rebanho que lhes foi
confiado, os presbíteros sejam repletos de alegria, atentos aos mais frágeis,
aos simples, aos pecadores, manifestando a misericórdia infinita de Deus com as
palavras tranquilizadoras da esperança (cf. Santo Agostinho, Carta 95, I:
PL 33, 351-352).
Àqueles que trabalham no mundo da saúde, assim como às famílias que nos seus
próprios entes queridos veem a Face sofredora do Senhor Jesus, renovo o meu
agradecimento e o da Igreja a fim de que, na competência profissional e no
silêncio, muitas vezes inclusive sem mencionar o nome de Cristo, manifestam-no
concretamente (cf. Homilia
na Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011).
A Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, elevemos o nosso olhar
confiante e a nossa prece; a sua compaixão materna, vivida ao lado do Filho
agonizante na Cruz, acompanhe e sustenha a fé e a esperança de cada pessoa
enferma e sofredora ao longo do caminho de cura das feridas do corpo e do
espírito.
A todos asseguro a minha recordação orante, enquanto concedo a cada um uma
especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 20 de Novembro de 2011, Solenidade de Nosso Senhor Jesus
Cristo, Rei do Universo.
BENEDICTUS PP XVI
© Copyright 2011 - Libreria Editrice
Vaticana
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Logomarca oficial da JMJ Rio2013
Conceito
Com base no trecho da Palavra do Evangelho de São Mateus, percebe-se a necessidade de expressar uma referência direta à imagem de Jesus e ao sentido do discípulo. Neste episódio, Jesus se encontrou com seus discípulos em uma montanha, após sua ressurreição. Como símbolo da cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor também se encontra em uma montanha e é um monumento reconhecido no mundo inteiro. O tema é uma palavra de ordem proclamada pelo próprio Senhor Jesus, e assim a Sua imagem possui destaque no centro do símbolo.
Os elementos do símbolo formam a imagem de um coração. Na fé dos povos o coração assumiu papel central, assim como o Brasil será o centro da juventude na Jornada Mundial. Também designa o homem interno por inteiro, se tornando nesta composição a referência aos discípulos que possuem Jesus em seus corações.
Os braços do Cristo Redentor ultrapassam a figura do coração, como o abraço acolhedor de Deus aos povos e jovens que estarão no Brasil. Representa nossa acolhida, como povo de coração generoso e hospitaleiro.
A parte superior (em verde) foi inspirada nos traços do Pão de Açúcar, símbolo universal da cidade do Rio de Janeiro, e a cruz contida nela reforça o sentido do território brasileiro conhecido por Terra de Santa Cruz. As formas que finalizam a imagem do coração possuem a cor azul, representando o litoral, somada ao verde e amarelo que transmitem a brasilidade das cores da bandeira nacional.
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SETOR COMUNICAÇÃO JMJ RIO2013
Catequese do Papa Bento XVI - 08/02/2012
Boletim da Santa Sé
(Tradução de Mirticeli Medeiros - equipe CN Notícias)
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de refletir convosco sobre a oração de Jesus na eminência da morte, detendo-me sobre aquilo que nos refere São Marcos e São Mateus. Os dois Evangelistas retratam a oração de Jesus que está morrendo não somente na língua grega, com a qual foi escrita a narração, mas, para a importância destas palavras, também numa mistura de hebraico e aramaico.
Deste nos foi transmitido não somente o conteúdo, mas também o tom que tal oração teve sobre os lábios de Jesus: escutamos realmente as palavras de Jesus como eram, ao mesmo tempo, eles nos descreveram a atitude dos presentes diante da crucificação, que não compreenderam - ou não quiseram compreender – esta oração.
Escreve São Marcos, como escutamos: "Ao meio dia, a terra ficou escura até as três da tarde. Às três, Jesus gritou em alta voz: "Eloì, Eloì, lemà sabactàni?", que significa: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (15,34). Na estrutura da narração, a oração, o grito de Jesus se levanta no cume das três horas de trevas, que, do meio dia até as três da tarde, calaram sobre toda a terra.
Estas três horas de escuridão, são, por sua vez, a continuação de um precedente lapso de tempo também de três horas, iniciado com a crucificação de Jesus. O Evangelista Marcos, de fato, nos informa que: "Eram nove horas da manhã quando o crucificaram" (cfr 15,25). Da junção das indicações horárias da narração, as seis horas de Jesus sobre a cruz são articuladas em duas partes cronologicamente equivalentes.
Nas primeiras três horas, das nove ao meio dia, se colocam escarnecimentos dos diversos grupos de pessoas, que mostram o seu ceticismo e afirma de não acreditarem. Escreve São Marcos: "Aqueles que passam por ele, o insultavam" (15,29); "assim também os sumo sacerdotes, com os escribas, entre eles escarneciam dele" (15,31); "e também aqueles que estavam crucificados com ele o insultavam" (15,32).
Nas três horas seguintes, do meio dia às três da tarde, o Evangelista fala somente das trevas que caíram sobre a terra, o escuro ocupa sozinho toda a cena sem qualquer referência sobre o movimento dos personagens ou das palavras. Quando Jesus se aproxima sempre mais da morte, existe somente escuridão que cala sobre toda a terra. Também o cosmo toma parte deste evento: o escuro envolve pessoas e coisa, mas também neste momento de trevas Deus está presente, não abandona.
Na tradição bíblica, o escuro tem um significado ambivalente: é sinal da presença e da ação do mal, mas também de uma misteriosa presença e ação de Deus que é capaz de vencer toda treva. No livro do Êxodo, por exemplo, lemos: "O Senhor disse a Moisés: "Eis, eu estou por vir diante de ti em uma densa nuvem" (19,9); e ainda: "O povo se coloca distante, enquanto Moisés avançou em direção à nuvem escura onde estava Deus" (20,21). E nos discursos de Deuteronômio, Moisés narra: "O monte ardia, com o fogo que se levantava até sumidade do céu, entre trevas, nuvens e obscuridade" (4,11); vós ouvistes a voz em meio as trevas, enquanto o monte era todo em chamas" (5,23).
Na cena da crucificação de Jesus as trevas envolvem a terra e são trevas de morte nas quais o Filho de Deus se imerge para levar a vida, com o seu ato de amor.
Voltando à narração de São Marcos, diante dos insultos das diversas categorias de pessoas, diante do escuro que cala tudo, no momento no qual está diante da morte, Jesus com o grito da sua oração mostra que, junto ao peso do sofrimento e da morte no qual parece que existe um abandono, a ausência de Deus, Ele tem a plena certeza da proximidade do Pai, que aprova este ato supremo de amor, de dom total de Si, apesar de não se ouvir, como em outros momentos, a voz do alto.
Lendo os Evangelhos, se chega à conclusão que em outros momentos importantes da sua existência terrena, Jesus tenha visto associar-se aos sinais da presença do Pai e da aprovação ao seu caminho de amor, também a voz esclarecedora de Deus. Assim, no momento que segue o batismo no Jordão, ao romper dos céus, se ouvia a palavra do Pai: "Tu és meu Filho muito amado: em ti coloquei toda a minha afeição" (Mc 1,11). Na transfiguração, depois, ao sinal da nuvem se aproximava a palavra: "Este é meu filho muito amado, escutem-no!" (Mc 9,7). Ao invés disso, ao aproximar-se da morte do crucificado, vem o silêncio, não se escuta nenhuma voz, mas o olhar de amor do Pai permanece fixo sobre o dom de amor do Filho.
Mas qual significado a oração de Jesus, aquele grito que é lançado ao Pai: "Meu Deus, Meu Deus, por que abandonantes", a dúvida da sua missão, da presença do Pai? Nesta oração não existe talvez a consciência exata de ter sido abandonado? As palavras que Jesus dirige ao Pai são o início do Salmo 22, no qual o Salmista manifesta a Deus a tensão entre o se sentir deixado sozinho e a consciência certa da presença de Deus em meio ao seu povo. O Salmista reza: "Meu Deus, grito pela manhã e não respondes; à noite e não existe trégua para mim. Mesmo assim, tu és Santo, Tu sentas no trono entre os louvores de Israel" (v. 3-4). O Salmista fala de "grito" para exprimir todo o sofrimento da sua oração diante de Deus aparentemente ausente: no momento da angústia a oração de torna um grito.
E isto acontece também no nosso relacionamento com o Senhor: diante das situações mais difíceis e dolorosas, quando parece que Deus não escuta, não devemos temer de confiar a Ele todo o peso que trazemos no nosso coração, não devemos ter medo de gritar a Ele o nosso sofrimento, devemos estar convencidos que Deus está próximo, também se aparentemente não fala.
Repetindo da cruz as palavras iniciais do Salmo, "Eli, Eli, lemà sabactàni?" - "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?" (Mt 27,46), gritando as palavras do Salmo, Jesus reza no momento da última rejeição dos homens, no momento do abandono; reza, entretanto, com o Salmo, na consciência da presença de Deus Pai também nesta hora na qual sente o drama humano da morte.
Mas em nós surge uma pergunta: como é possível que um Deus tão potente não intervenha para livrar o Filho dessa prova terrível? É importante compreender que a oração de jesus não é um grito de quem vai de encontro ao desespero e à morte e nem mesmo é o grito de quem sabe que foi abandonado. Jesus naquele momento faz seu todo o Salmo 22, o Salmo do povo de Israel que sofre, e deste modo toma sobre si a pena do seu povo, mas também aquela de todos os homens que sofrem pela opressão do mal, e ao mesmo tempo, leva tudo isso ao coração do próprio Deus, na certeza que o seu grito será acolhido na Ressurreição: "o grito no extremo tormento é ao mesmo tempo certeza da resposta divina, certeza da salvação - não somente pelo próprio Jesus, mas por muitos" (Jesus de Nazaré II, 239-240).
Nesta oração de Jesus se unem a extrema confiança e abandono nas mãos de Deus, também quando parece ausente, também quando parece permanecer em silêncio, seguindo um desígnio a nós incompreensível.
No Catecismo da Igreja Católica lemos assim: No amor redentor que sempre o unia ao Pai, Jesus nos assumiu na nossa separação de Deus por causa do pecado ao ponto de poder dizer em nosso nome sobre a cruz: "Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes"?(n.603). O seu é um sofrimento em comunhão conosco e para nós, que deriva do amor e já leva consigo a redenção, a vitória do amor.
As pessoas presentes sob a cruz de Jesus não conseguem entender e pensam que o seu grito seja uma suplica voltada para Elias. Na cena, elas procuram matar a sede dele para prolongar-lhe a vida e verificar se verdadeiramente Elias virá em seu socorro, mas um forte grito põe um fim à vida terrena de Jesus e ao desejo deles.
No momento extremo, Jesus deixa que no seu coração exprima dor, mas deixar emergir, ao mesmo tempo, o sentido da presença do Pai e o consenso ao seu desígnio de salvação para a humanidade. Também nós, nos encontramos sempre e novamente diante do "hoje" do sofrimento, do silêncio de Deus - o exprimimos tantas vezes na nossa oração - mas nos encontramos também diante do "hoje" da Ressurreição, da resposta de Deus que tomou sobre si os nosso sofrimentos, para levá-los juntos conosco e dar-nos a firme esperança que serão vencidos (cfr Encíclica Spe Salvi, 35-40)
Queridos amigos, na oração, levamos a Deus as nossas cruzes cotidianas, na certeza que Ele está presente e nos escuta. O grito de Jesus nos recorda como a na oração devemos superar as barreiras do nosso "eu" e dos nossos problemas e abrir-nos às necessidades e aos sofrimentos dos outros. A oração de Jesus que morre sobre a cruz nos ensine a rezar com amor por tantos irmãos e irmãs que sentem o peso da vida cotidiana, que vivem momentos difíceis, que estão na dor, que não tem uma palavra de conforto; levamos tudo isso ao coração de Deus, para que também esses possam sentir o amor de Deus que não nos abandona nunca. Obrigado!
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
CATEQUESE DO PAPA
Catequese de Bento XVI – 25/01/2012
Boletim da Santa Sé
(Tradução de Mirticeli Medeiros - equipe CN Notícias)
Queridos irmãos e irmãs
Na catequese de hoje concentramos a nossa atenção sobre a oração que Jesus dirige ao Pai na hora do seu enaltecimento e da sua glorificação. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica: “A tradição a define a oração sacerdotal de Jesus”. É aquela do nosso Sumo Sacerdote, a qual é inseparável do seu Sacrifício, da sua passagem (Páscoa) ao Pai, onde ele é inteiramente “consagrado” ao Pai. (n. 2747).
Esta oração de Jesus é compreensível na sua extrema riqueza, sobretudo se a colocamos no contexto da festa judaica da expiação, o Yom kippur. Naquele dia o Sumo Sacerdote completa a expiação por si mesmo, depois pela classe sacerdotal e enfim pela inteira comunidade do povo. O objetivo é o de conduzir o povo de Israel, depois das transgressões do ano, à consciência da reconciliação com Deus, à consciência de ser um povo eleito, ‘povo santo’ em meio aos outros povos. A oração de Jesus, apresentada no capítulo 17 do Evangelho Segundo João, retoma a estrutura desta festa. Jesus naquela noite se volta ao Pai no momento no qual está oferecendo a si mesmo. Ele, sacerdote e vítima, ora por si mesmo, pelos apóstolos e por todos aqueles que acreditarão n’Ele, pela Igreja de todos os tempos (Jo 17,20).
A oração que Jesus faz por si mesmo é o pedido da própria glorificação, do próprio enaltecimento na sua ‘hora’. Na realidade é mais um pedido e uma declaração de plena disponibilidade de entrar, livremente e generosamente, no desígnio do Pai que se cumpre na entrega, na morte e na ressurreição. Esta “Hora” é iniciada com a traição de Judas (Jo 13,31) e culminará na subida de Jesus ressuscitado ao Pai (Jo 20,17). A saída de Judas do cenáculo é comentada por Jesus com estas palavras: “Agora o Filho do Homem foi glorificado e Deus foi glorificado nEle” (Jo 13,31). Não acaso, Ele inicia a oração sacerdotal dizendo: “Pai, é chegada a hora: glorifica o teu Filho para que o Filho glorifique a ti” (Jo 17,1). A glorificação que Jesus pede por si mesmo como Sumo Sacerdote é o ingresso na plena obediência ao Pai, uma obediência que o conduz à sua mais plena condição filial: “E agora, Pai, glorifica-me diante de Ti com aquela glória que eu havia junto de Ti antes que o mundo existisse” (Jo 17,5). Esta disponibilidade e este pedido constituem o primeiro ato do sacerdócio novo de Jesus que é um doar-se totalmente na cruz, e exatamente sobre a cruz – o supremo ato de amor – Ele é glorificado, porque o amor é a alegria verdadeira, a glória divina.
O segundo momento desta oração é a intercessão que Jesus faz pelos discípulos que estiveram com Ele. Eles são aqueles dos quais Jesus pode dizer ao Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me destes. Eram teus e os destes a mim, e eles observaram a Sua Palavra” (Jo 17,6). “Manifestar o nome de Deus aos homens” é a realização de uma presença nova do Pai em meio ao povo, à humanidade. Este “manifestar” não é somente uma palavra, mas é a realidade em Jesus; Deus está conosco, e assim o nome - a sua presença conosco, o ser um de nós – se “realizou”. Portanto, esta manifestação se realiza na encarnação do Verbo. Em Jesus Deus entra na carne humana, se faz próximo em modo único e novo. E esta presença tem o seu ápice no sacrifício que Jesus realiza na sua Páscoa de morte e ressurreição.
Ao centro desta oração de intercessão e de expiação em favor dos discípulos está o pedido de consagração; Jesus diz ao Pai: “Eles não são do mundo, também eu mandei-lhes ao mundo; por eles eu consagro a mim mesmo, para que sejam também eles consagrados na verdade” (Jo 17, 16-19). Pergunto: o que significa “consagrar” neste caso? Antes de tudo vale dizer que “Consagrado” ou “Santo” é propriamente somente Deus. Consagrar, portanto, quer dizer transferir uma realidade – uma pessoa ou coisa – para a propriedade de Deus. E nisto estão presentes dois aspetos complementares: de uma parte tirar das coisas comuns, segregar, colocar à parte do ambiente de vida pessoal do homem para serem doados totalmente a Deus; e da outra esta segregação, esta transferência à esfera de Deus, tem um significado próprio de envio, de missão: exatamente porque, doada a Deus, a realidade, a pessoa consagrada existe para os outros, é doada aos outros. Doar a Deus quer dizer não estar mais para si mesmo, mas para todos. É consagrado quem, como Jesus, é segregado do mundo e colocado à parte para Deus em vista de um objetivo e exatamente por isto está plenamente à disposição de todos. Para os discípulos, será continuar a missão de Jesus, ser doado a Deus para ser assim em missão por todos. A noite de Páscoa, o Ressuscitado, aparecendo aos seus discípulos, lhes dirá: “A paz esteja convosco. Como o Pai me envio assim eu vos envio” (Jo 20,21)
O terceiro ato desta oração sacerdotal estende o olhar até o fim do tempo. Nela Jesus se volta ao Pai para interceder em favor de todos aqueles que serão levados à fé mediante a missão inaugurada pelos apóstolos e continuada na história: “Não oro somente por estes, mas também por aqueles que acreditarão em mim mediante a Palavra deles”. Jesus reza pela igreja de todos os tempos, reza também por nós (Jo 17,20). O Catecismo da Igreja Católica comenta: “Jesus levou a pleno cumprimento a obra do Pai, e a sua oração, como o seu Sacrifício, se estende até a consumação dos tempos. A oração da Hora preenche os últimos tempos e os leva em direção à consumação” (n.2749).
O pedido central da oração sacerdotal de Jesus dedicada aos seus discípulos de todos os tempos é aquela da futura unidade de quantos acreditarão n’Ele. Tal unidade não é um produto mundano. Essa provém exclusivamente da unidade divina e chega a nós do Pai mediante o Filho e no Espírito Santo. Jesus invoca um dom que provém do Céu, e que tem o seu efeito – real e perceptível – sobre a terra. Ele reza “para que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti. Que eles estejam em nós sejam também estes em nós, para que o mundo creia que Tu me enviastes” (Jo 17,21). A unidade dos cristãos de uma parte é uma realidade secreta que está no coração daqueles que creem. Mas, ao mesmo tempo, ela deve aparecer com toda a clareza na história, deve aparecer para que o mundo creia, tem um objetivo muito prático e concreto, deve aparecer para que realmente todos sejam uma coisa só. A unidade dos futuros discípulos, sendo em unidade com Jesus – que o Pai enviou pelo mundo – é também a fonte originária da eficácia das missões cristãs no mundo.
Podemos dizer que na oração sacerdotal de Jesus se cumpre a instituição da Igreja. Exatamente ali, no ato da última ceia, Jesus cria a Igreja. Já que, não é a Igreja a comunidade dos discípulos que, mediante a fé em Jesus Cristo como enviado do Pai, recebe a sua unidade e é envolvida na missão de Jesus de salvar o mundo conduzindo-o ao conhecimento de Deus? Aqui encontramos realmente uma verdadeira definição da Igreja. A Igreja nasce da oração de Jesus. E esta oração não é somente palavra: é o ato no qual se consagra a si mesmo e por assim dizer, se sacrifica pela vida do mundo (Jesus de Nazaré, II)
Jesus reza para que os seus discípulos sejam uma coisa só. Em força de tal unidade, recebida e guardada, a Igreja pode caminhar no mundo sem ser do mundo (cfr Jo 17,16) e viver a missão que lhe foi confiada para que o mundo creia no Filho e no Pai que a enviou. A igreja se torna então o lugar no qual se continua a missão do próprio Cristo: conduzir o mundo da alienação do homem em direção a Deus e a si mesmo, para fora do pecado, a fim que volte a ser o mundo de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, colhemos alguns elementos da grande riqueza da oração sacerdotal de Jesus, que vos convido a ler e meditar, para que os guie no diálogo com o Senhor, nos ensine a rezar. Também nós, então, na nossa oração, pedimos a Deus que nos ajude a entrar, de modo mais pleno, no projeto que Ele tem sobre cada um de nós, peçamos à Ele para sermos “consagrados” a Ele, para pertencer-lhe sempre mais para poder amar sempre mais os outros, os próximos e os que estão distantes; peçamos à Ele para sermos sempre capazes de abrir a nossa oração às dimensões do mundo, não fechando-a no pedido de ajuda pelos nossos problemas, mas recordando diante do Senhor o nosso próximo, aprendendo a beleza de interceder pelos outros; peçamos à Ele o dom da unidade visível entre todos os que creem em Cristo – invocamos isto com força na semana de oração pela Unidade dos Cristãos - oremos para estarmos prontos para responder a qualquer um que nos pergunte acerca da esperança que está em nós (cfr. IPT 3,15). Obrigado.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
MENSAGEM DO PAPA BENTO
XVI
PARA O 46º DIA MUNDIAL
DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
PARA O 46º DIA MUNDIAL
DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
«Silêncio e palavra: caminho de evangelização»
[Domingo, 20 de Maio de 2012]
Amados irmãos e irmãs,
Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo
partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da
comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo
hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e
palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e
integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre
as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação
deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um
clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação
ganha valor e significado.
O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras
densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós
mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que
queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos.
Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e
permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às
nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e
torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que
se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se
amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a
pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que
encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão.
Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo
à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida
e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes,
torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é
inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação
existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação
entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam
compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum
autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie
de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.
Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à
procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de
partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões,
informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o
lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se,
frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a
necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário
discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos,
justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente
importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação,
aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem
sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher
as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo
profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à
reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta
apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e
abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.
No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser
humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e
esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e
tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos
perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste
nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a
partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus
ideais» (Mensagem
para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).
Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e
redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de
reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio,
ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua
essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo
bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o
cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas
tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados
para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá
sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras:
«Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O
silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa
decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O
silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros,
Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum
Domini, 30 de Setembro de 2010, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a
eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo,
a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e
Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr
Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor
pela humanidade.
Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio
a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio
que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar
ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia
durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica
Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de
Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o
espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força
interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos
e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1,
3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia
ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos
a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.
Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra
eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação
que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como
recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de
«acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras,
realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e
as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram
as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Const. dogm. Dei
Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de
Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer
o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar
da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A
questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de
pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste
Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos
a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que
promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.
Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a
contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os
agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e
integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus
Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a
Palavra» (Oração
pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de Setembro de 2007),
confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de
comunicação social.
Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de
2012.
BENEDICTUS PP. XVI
© Copyright 2012 - Libreria Editrice
Vaticana
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
AMÉRICA LATINA: PRESERVAR A FÉ E O DINAMISMO HISTÓRICO-CULTURAL
CIDADE DO VATICANO, 13 de dezembro 2011.
Por ocasião do bicentenário da independência da América Latina e no Caribe, o Santo Padre Bento XVI presidiu ontem, Solenidade da Santíssima Virgem Maria de Guadalupe, Padroeira da América Latina, a Santa Missa na Basílica Vaticana. Concelebrou com o Santo Padre, o Cardeal Tarcisio Bertone, SDB, Secretário de Estado, o Cardeal Marc Ouellet, PSS, Prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, o cardeal Norberto Rivera Carrasco, Arcebispo da Cidade do México (México) e Cardeal Raynundo Damsceno Assis, Arcebispo de Aparecida (Brasil).
Antes da Celebração Eucarística, o Secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, o professor Guzmán Carriquiry, leu alguns textos sobre o bicentenário e sobre a Virgem de Guadalupe e o Cardeal Nicolás de Jesús Rodríguez Lὁpez, Arcebispo de Santo Domingo (República Dominicana) recitou uma oração à Santíssima Virgem Maria de Guadalupe.
Na homilia, o Papa disse:
Boletim da Santa Sé
Tradução de Nicole Melhado
Queridos irmãos e irmãs,
«A terra deu muito fruto» (Sal 66,7). Nesta imagem do salmo que escutamos, que convida todos os povos e nações a louvar ao Senhor com alegria que nos salva, os Padres da Igreja reconheceram a Virgem Maria e Cristo, seu Filho: «A terra é santa Maria, que vem de nossa terra, nossa linhagem, dessa lama, desse barro, de Adão [...]. A terra produziu o seu fruto, primeiro, produzido uma flor [...]; então essa flor tornou-se fruto, para que pudéssemos comer, então nós comemos sua carne. Quer saber o que esta fruta? É o vigem que procede da virgem, o Senhor, da escrava, Deus, do homem, o Filho da Mãe, o fruto, da terra» (S. Jerônimo, Breviarum in Psalm. 66: PL 26,1010-1011).
Também nós hoje, exaltando pelo fruto desta terra, dizemos: «Que te louvem, Senhor, todos os povos» (Sal 66,4. 6). Proclamamos o dom da redenção alcançada por Cristo, e em Cristo, reconhecemos seu poder e majestade divina.
Animado por este sentimento, saúdo com afeto fraterno os senhores cardeais e bispos que nos acompanham, os diversos representantes diplomáticos, os sacerdotes, religiosos e religiosas, assim como os grupos de fiéis reunidos nesta Basílica de São Pedro para celebrar com alegria a solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Estrela da Evangelização da América.
Tenho igualmente presente todos os que se unem espiritualmente e oram a Deus conosco pelos diversos países latinoamericanos e do Caribe, muitos deles neste momento festejam o Bicentenário de sua idependência, e que muito mais do que somente os aspectos históricos, sociais e políticos dos acontecimientos, renovam ao Altíssimo a gratidude pelo grande dom da fé recido, uma fé que anuncia o Mistério redentor da morte e ressureição de Jesus Cristo, para que todos os povos da terra tenham vida Nele. O Sucessor de Pedro não podeia deixar passar este evento sem fazer presente a alegria da Igreja pelos abundantes dons que Deus em sua infinita bondade derramou durante estes anos nessas nações muito amadas, que tão afetuosamente envocam a Maria Santíssima.
A venerada imagem da Moreninha do Tepeyac, de rosto doce e senero, impresa na tilma do índio San Juan Diego, se presenta como «a sempre Vírgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus por quem se vive» (De la lectura del Oficio. Nicán Monohua, 12ª ed., México, D.F., 1971, 3-19). Ela clama a «mulher vestida de sol, com a lua sob seus pés e uma cora de doze estrelas sobre sua cabeça, que está grávida» (Ap 12,1-2) e indica a presença do Salvador para sua população indígena e mestiça.
Ela nos conduz sempre a seu divino Filho, o qual se revela como fundamento da dignidade de todos os seres humanos, como um amor mais forte que as potências do mal e da morte, sendo também fonte de alegria, confiança filial, consolo e esperança.
[Aos fiéis de língua portuguesa o Papa disse:]
O Magnificat, que proclamamos no Evangelho, é «o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo Povo de Deus, cântico de ação de graças pela plenitude de graças distribuídas na Economia da salvação, cântico dos "pobres", cuja esperança é satisfeita pela realização das promessas feitas a nossos pais» (Catecismo da Igreja Católica, 2619). Em um gesto de reconhecimento ao seu Senhor e de humildade da sua serva, a Virgem Maria eleva a Deus o louvor por tudo o que Ele fez em favor do seu povo Israel. Deus é Aquele que merece toda a honra e glória, o Poderoso que fez maravilhas por sua fiel servidora e que hoje continua mostrando o seu amor por todos os homens, particularmente aqueles que enfrentam duras provas.
[Depois continuou sua homilia em espanhol]
«Eis que teu rei vem a você, Ele é justo e vitorioso, humilde e montado num jumento» (Zc 9,9), é o que escutamos na primeira leitura. Desde a encarnação do Verbo, o Mistério divino se revela no acontecimento de Jesus Cristo, que é contemporâneio a toda pessoa humana em qualquer tempo e lugar por meio da Igreja, que tem Maria como Mãe e modelo.
Por isso, nós podemos hoje continuar louvando a Deus pelas maravilhas que operou na vida dos povos latinoamericanos e do mundo inteiro, manifestando sua presença no Filho e a efusão de seu Espírito como novidade para a vida pessoal e comunitária. Deus ocultou essas coisas aos "sábios e prudentes", dando-lhes a conhecer os pequeninos, os humildes, os simples de coração (cf. Mt 11,25).
Pelo seu "sim" ao chamado de Deus, a Virgem Maria manifesta entre os homens o amor divino. Neste sentido, ela, com simplicidade e coração da mãe, ainda indica a única Luz e a única Verdade: Seu Filho Jesus Cristo, que «é a resposta definitiva para a questão sobre o sentido da vida e as questões fundamentais que ainda hoje atingem tantos homens e mulheres do continente americano» (Ref. Exort. pós-sinodal Igreja na América, 10).
Além disso, ela continuou a levar sua intercessão constante para os dons da salvação eterna. Com amor maternal, cuida dos irmãos de seu Filho que ainda peregrinam e caminham entre perigos e dificuldades, até que sejam levados à pátria feliz (Lumen gentium, 62).
Hoje, entre as comemorações em diversos lugares da América Latina pelo Bicentenário de sua independência, o caminho da integração neste querido continente avança, enquanto é visto seu novo papel como emergente no contexto mundial.
Nestas circunstancias, é importante que os diversis povos salvem seu rico tesouro de fé e seu dinamismo históricos-social, sendo sempre defensores da vida humana desde sua concepção até seu fim natural e promotores da paz, além de proteger a família na sua verdadeira natureza e missão, enquanto se intensifica a implementação de um extenso trabalho de educação para preparar corretamente as pessoas para fazê-los conscientes de suas capacidades, de modo a enfrentar com dignidade e responsabilidade seu destino. São chamados a promover iniciativas corretas e programas eficazes que promovam a reconciliação e a fraternidade, fomentando a solidariedade e o maior cuidado com o meio ambiente, ao mesmo tempo revigorandoo os esforços para superar a pobreza, o analfabetismo e corrupção, e erradicar toda injustiça, violência, criminalidade, insegurança, o tráfico de drogas e extorsão.
Quando a Igreja se prepavara para recordar o quinto centenário do “plantio” da Cruz de Cristo na boa terra boa do continente americano, o beato João Paulo II fez em seu solo, pela primeira vez, o programa para uma evangelização nova «em seu ardor, seus métodos, sua expressão» (cf. Discurso à Assembléia do CELAM, 9 de março de 1983, III: AAS 75, 1983, 778).
É responsabilidade minha também confirmar na fé e animar o zelo apostólico que atualmente impulsiona e busca a «missão continental» promovida em Aparecida, para que «a fé cristça chegue mais profundamente aos corações das pessas e dos povos latinoamericanos como acontecimento fundamental e encontro vivaz com Cristo» (V Conferência General do Episcopado Latinoamericano e do Caribe, Documento conclusivo, 13).
Assim se multiplicarão os autênticos discípulos e missionários do Senhor e se renoraá a vocação da América Latina e do Caribe à esperança. Que a luz de Deus brilhe, então, cada vez mais no rosto de cada um dos filhos dessa amada terra e que sua graça redentora oriente suas decisões, para que continue avançando sem desanimar na construção de uma sociedade fundada na promoção do bem, no triunfo do amor e difusão da justiça.
Com estes vivos desejos, e sustentado pelo auxílio da providência divina, tenho a intenção de realizar uma viagem apostólica antes da Semana da Páscoa ao México e a Cuba, para proclamar alí a Palavra de Cristo, convencido que este é um tempo precioso para a evangelização com um fé rica, uma espernaça viva e uma caridade artende.
Recomendo todos estes propósitos à mediação amorosa de Nossa Senhora de Guadalupe, nossa Mãe do céu, assim como os destinos atuais da América Latina e do Caribe e o caminho que estão percorrendo para um amanhã melhor.
Invoco sobre elas também a intercessão de todos os santos e beatos, que o Espírito Santo suscitou ao longo da história do continente, oferecendo modelos heróicos de virtude cristã em diferentes estados de vida e ambientes sociais, para esses exemplos sejam favoráveis a uma nova evangelização, sob o olhar de Cristo, o Salvador do homem e sua força de vida.
«A terra deu muito fruto» (Sal 66,7). Nesta imagem do salmo que escutamos, que convida todos os povos e nações a louvar ao Senhor com alegria que nos salva, os Padres da Igreja reconheceram a Virgem Maria e Cristo, seu Filho: «A terra é santa Maria, que vem de nossa terra, nossa linhagem, dessa lama, desse barro, de Adão [...]. A terra produziu o seu fruto, primeiro, produzido uma flor [...]; então essa flor tornou-se fruto, para que pudéssemos comer, então nós comemos sua carne. Quer saber o que esta fruta? É o vigem que procede da virgem, o Senhor, da escrava, Deus, do homem, o Filho da Mãe, o fruto, da terra» (S. Jerônimo, Breviarum in Psalm. 66: PL 26,1010-1011).
Também nós hoje, exaltando pelo fruto desta terra, dizemos: «Que te louvem, Senhor, todos os povos» (Sal 66,4. 6). Proclamamos o dom da redenção alcançada por Cristo, e em Cristo, reconhecemos seu poder e majestade divina.
Animado por este sentimento, saúdo com afeto fraterno os senhores cardeais e bispos que nos acompanham, os diversos representantes diplomáticos, os sacerdotes, religiosos e religiosas, assim como os grupos de fiéis reunidos nesta Basílica de São Pedro para celebrar com alegria a solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Estrela da Evangelização da América.
Tenho igualmente presente todos os que se unem espiritualmente e oram a Deus conosco pelos diversos países latinoamericanos e do Caribe, muitos deles neste momento festejam o Bicentenário de sua idependência, e que muito mais do que somente os aspectos históricos, sociais e políticos dos acontecimientos, renovam ao Altíssimo a gratidude pelo grande dom da fé recido, uma fé que anuncia o Mistério redentor da morte e ressureição de Jesus Cristo, para que todos os povos da terra tenham vida Nele. O Sucessor de Pedro não podeia deixar passar este evento sem fazer presente a alegria da Igreja pelos abundantes dons que Deus em sua infinita bondade derramou durante estes anos nessas nações muito amadas, que tão afetuosamente envocam a Maria Santíssima.
A venerada imagem da Moreninha do Tepeyac, de rosto doce e senero, impresa na tilma do índio San Juan Diego, se presenta como «a sempre Vírgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus por quem se vive» (De la lectura del Oficio. Nicán Monohua, 12ª ed., México, D.F., 1971, 3-19). Ela clama a «mulher vestida de sol, com a lua sob seus pés e uma cora de doze estrelas sobre sua cabeça, que está grávida» (Ap 12,1-2) e indica a presença do Salvador para sua população indígena e mestiça.
Ela nos conduz sempre a seu divino Filho, o qual se revela como fundamento da dignidade de todos os seres humanos, como um amor mais forte que as potências do mal e da morte, sendo também fonte de alegria, confiança filial, consolo e esperança.
[Aos fiéis de língua portuguesa o Papa disse:]
O Magnificat, que proclamamos no Evangelho, é «o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo Povo de Deus, cântico de ação de graças pela plenitude de graças distribuídas na Economia da salvação, cântico dos "pobres", cuja esperança é satisfeita pela realização das promessas feitas a nossos pais» (Catecismo da Igreja Católica, 2619). Em um gesto de reconhecimento ao seu Senhor e de humildade da sua serva, a Virgem Maria eleva a Deus o louvor por tudo o que Ele fez em favor do seu povo Israel. Deus é Aquele que merece toda a honra e glória, o Poderoso que fez maravilhas por sua fiel servidora e que hoje continua mostrando o seu amor por todos os homens, particularmente aqueles que enfrentam duras provas.
[Depois continuou sua homilia em espanhol]
«Eis que teu rei vem a você, Ele é justo e vitorioso, humilde e montado num jumento» (Zc 9,9), é o que escutamos na primeira leitura. Desde a encarnação do Verbo, o Mistério divino se revela no acontecimento de Jesus Cristo, que é contemporâneio a toda pessoa humana em qualquer tempo e lugar por meio da Igreja, que tem Maria como Mãe e modelo.
Por isso, nós podemos hoje continuar louvando a Deus pelas maravilhas que operou na vida dos povos latinoamericanos e do mundo inteiro, manifestando sua presença no Filho e a efusão de seu Espírito como novidade para a vida pessoal e comunitária. Deus ocultou essas coisas aos "sábios e prudentes", dando-lhes a conhecer os pequeninos, os humildes, os simples de coração (cf. Mt 11,25).
Pelo seu "sim" ao chamado de Deus, a Virgem Maria manifesta entre os homens o amor divino. Neste sentido, ela, com simplicidade e coração da mãe, ainda indica a única Luz e a única Verdade: Seu Filho Jesus Cristo, que «é a resposta definitiva para a questão sobre o sentido da vida e as questões fundamentais que ainda hoje atingem tantos homens e mulheres do continente americano» (Ref. Exort. pós-sinodal Igreja na América, 10).
Além disso, ela continuou a levar sua intercessão constante para os dons da salvação eterna. Com amor maternal, cuida dos irmãos de seu Filho que ainda peregrinam e caminham entre perigos e dificuldades, até que sejam levados à pátria feliz (Lumen gentium, 62).
Hoje, entre as comemorações em diversos lugares da América Latina pelo Bicentenário de sua independência, o caminho da integração neste querido continente avança, enquanto é visto seu novo papel como emergente no contexto mundial.
Nestas circunstancias, é importante que os diversis povos salvem seu rico tesouro de fé e seu dinamismo históricos-social, sendo sempre defensores da vida humana desde sua concepção até seu fim natural e promotores da paz, além de proteger a família na sua verdadeira natureza e missão, enquanto se intensifica a implementação de um extenso trabalho de educação para preparar corretamente as pessoas para fazê-los conscientes de suas capacidades, de modo a enfrentar com dignidade e responsabilidade seu destino. São chamados a promover iniciativas corretas e programas eficazes que promovam a reconciliação e a fraternidade, fomentando a solidariedade e o maior cuidado com o meio ambiente, ao mesmo tempo revigorandoo os esforços para superar a pobreza, o analfabetismo e corrupção, e erradicar toda injustiça, violência, criminalidade, insegurança, o tráfico de drogas e extorsão.
Quando a Igreja se prepavara para recordar o quinto centenário do “plantio” da Cruz de Cristo na boa terra boa do continente americano, o beato João Paulo II fez em seu solo, pela primeira vez, o programa para uma evangelização nova «em seu ardor, seus métodos, sua expressão» (cf. Discurso à Assembléia do CELAM, 9 de março de 1983, III: AAS 75, 1983, 778).
É responsabilidade minha também confirmar na fé e animar o zelo apostólico que atualmente impulsiona e busca a «missão continental» promovida em Aparecida, para que «a fé cristça chegue mais profundamente aos corações das pessas e dos povos latinoamericanos como acontecimento fundamental e encontro vivaz com Cristo» (V Conferência General do Episcopado Latinoamericano e do Caribe, Documento conclusivo, 13).
Assim se multiplicarão os autênticos discípulos e missionários do Senhor e se renoraá a vocação da América Latina e do Caribe à esperança. Que a luz de Deus brilhe, então, cada vez mais no rosto de cada um dos filhos dessa amada terra e que sua graça redentora oriente suas decisões, para que continue avançando sem desanimar na construção de uma sociedade fundada na promoção do bem, no triunfo do amor e difusão da justiça.
Com estes vivos desejos, e sustentado pelo auxílio da providência divina, tenho a intenção de realizar uma viagem apostólica antes da Semana da Páscoa ao México e a Cuba, para proclamar alí a Palavra de Cristo, convencido que este é um tempo precioso para a evangelização com um fé rica, uma espernaça viva e uma caridade artende.
Recomendo todos estes propósitos à mediação amorosa de Nossa Senhora de Guadalupe, nossa Mãe do céu, assim como os destinos atuais da América Latina e do Caribe e o caminho que estão percorrendo para um amanhã melhor.
Invoco sobre elas também a intercessão de todos os santos e beatos, que o Espírito Santo suscitou ao longo da história do continente, oferecendo modelos heróicos de virtude cristã em diferentes estados de vida e ambientes sociais, para esses exemplos sejam favoráveis a uma nova evangelização, sob o olhar de Cristo, o Salvador do homem e sua força de vida.
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